
O Palácio da Independência, em Lisboa, acolheu a 25 de março as comemorações dos 380 anos da proclamação de Nossa Senhora da Conceição como Rainha e Padroeira de Portugal. A efeméride, organizada pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal, cruzou a memória nacional com a liturgia, evocando o histórico voto régio de D. João IV nas Cortes de 1646.
O Palácio da Independência, em Lisboa, é local central para a diplomacia e história do país. Foi neste Palácio que, na noite de 30 de Novembro os conjurados se reuniram com o objectivo de, no dia primeiro de Dezembro, restaurar a independência de Portugal face a Espanha, colocando um rei português no trono. A própria escolha do dia da revolta, tal como explicou o celebrante na homilia, está associada ao oitavário da Imaculada Conceição. Não é de estranhar, portanto, que a 25 de Março do ano seguinte à restauração da soberania portuguesa se proclame esta invocação de Nossa Senhora como Padroeira e Rainha de Portugal.
A Missa de Ação de Graças constituiu o momento central do programa. Durante a celebração, a homilia proferida pelo Padre António Júlio Trigueiros, SJ, traçou o percurso histórico da devoção e proteção mariana no país. O relato recuou às origens da nacionalidade, com D. Afonso Henriques, e culminou com a leitura de um excerto dos sermões do Padre António Vieira dedicados à Virgem Maria, ancorando o evento na grande tradição teológica e literária portuguesa.
Para sublinhar a relevância desta data, a Tota Pulchra, através da sua delegação portuguesa, trabalhou em estreita articulação com a Santa Sé. Graças à mediação direta de Monsenhor Gervais junto das instâncias da Santa Sé, foi possível garantir duas concessões espirituais de grande relevo para o evento. A primeira delas foi a Bênção Apostólica do Papa Leão XIV e, também, uma indulgência, outorgada pela Penitenciária Apostólica, destinada a todos os participantes. A Bênção Apostólica foi transmitida por carta da Nunciatura Apostólica em Portugal e, ambos os documentos, articulados de forma estreita entre a Sociedade Histórica e o Patriarcado de Lisboa.
Estes documentos foram lidos publicamente durante a cerimónia, reforçando o peso institucional da efeméride. A parceria estabelecida neste contexto demonstra como o património histórico nacional se mantém vivo, provando que um evento central para a identidade católica de Portugal continua a ter ressonância direta e oficial junto da Igreja universal.
A intervenção da Tota Pulchra centrou-se na ligação institucional entre a celebração local e a Santa Sé. Através das diligências de Monsenhor Gervais em Roma, a associação mediou com sucesso a concessão da Bênção Apostólica do Papa Leão XIV e a atribuição de uma indulgência pela Penitenciária Apostólica aos presentes. O impacto público foi extremamente positivo, reforçando o prestígio da Tota Pulchra enquanto plataforma eficaz de diplomacia cultural e eclesial num dos eventos fundacionais da matriz católica portuguesa.
